COMO ELABORAR UM SEMINÁRIO
O seminário é uma técnica de aprendizagem que inclui pesquisa, discussão e debate.
Os componentes do seminário:
1. Coordenador - é aquele que propõe os temas geralmente o professor, estabelece as regras a serem seguidas para o desenvolvimento do seminário.
2. Organizador - é um dos componentes do grupo, aquele que dividi as tarefas, marca as reuniões, coordena a pesquisa.
3. Relator - são aqueles que irão relatar, ou seja, apresentar o tema que lhe coube.
4. Comentador - é escolhido pelo professor, sua necessidade surge quando se deseja um aprofundamento crítico.
5. Debates - são todos os alunos da classe. Fazendo perguntas, pedindo esclarecimento...
Etapas do seminário:
_ Divisão do tema central em tópicos,
_ Análise do material coletado,
_ Resumo das idéias dos diferentes autores consultados sob a forma de:
- Introdução (breve exposição do tema central),
- Desenvolvimento (explicação, discussão e demonstração),
- Conclusão (síntese de toda a reflexão), interpretação pessoal e não repetição da opinião do autor estudado.
- Bibliografia (de acordo com as normas da ABNT).
Formas de avaliação de um seminário:
Serão avaliadas todas as fases do seminário:
· A elaboração do resumo observando a exatidão.
· Se o conteúdo apresentado tem qualidade e quantidade.
· A exposição oral e a postura(controle da turma, voz, vocabulário e relacionamento com a classe).
· (Avaliam-se os recursos didáticos usados como: quadro-negro, ilustrações, vídeos, filmes, cartazes, texto-resumo para os colegas...).
· A organização da sala de aula e a criatividade para deixar o conteúdo interessante. (podendo utilizar além do conteúdo falado teatros, músicas, paródias, jogos e etc, todo este material deve estar relacionado com o conteúdo apresentado).
· A participação dos alunos da classe, no debate e no respeito com os colegas.
A postura dos integrantes do grupo:
• Falar para todos os ouvintes.
• Não ficar de costas para os ouvintes e nem encostados nas paredes, ou quadro negro.
• Não andar em frente dos recursos visuais que estiverem sendo utilizados.
Requisitos para a exposição oral:
1. Aspectos do conteúdo:
a) domínio do assunto (por todos os componentes do grupo);
b) clareza nos conceitos expostos;
c) seleção qualitativa e quantitativa do material coletado;
d) adequação da extensão do relato ao tempo disponível;
1. Introdução pelo professor
2. Apresentação pelo coordenador:
2.1. das tarefas a serem cumpridas no dia , das orientações para o procedimento a ser adotado pelos participantes durante a realização do seminário e do cronograma das atividades em classe ;
2.2. de uma breve introdução para localização do tema do seminário no desenvolvimento da temática geral dos seminários anteriores ;
2.3. de esclarecimentos relacionados com o texto-roteiro, eventualmente reclamados pelos participantes. Nesse momento , faz-se igualmente uma revisão de leitura para que não haja muitas dúvidas quanto à compreensão do texto .
3. Execução coordenada pelo responsável das várias atividades executadas pelos participantes, conforme dinâmica definida pelo modelo de seminário escolhido pelo coordenador.
4.Apresentação introdutória à discussão geral da reflexão pessoal , pelo coordenador.
4.
Governo de José
Sarney
Após a frustrada
campanha pelas Diretas Já, que arrebanhou
multidões em favor da volta pelas eleições diretas, Tancredo Neves foi eleito
indiretamente Presidente da República, sucedendo assim o último militar no
poder, João Figueiredo.
Tancredo foi candidato na
chapa PMDB/PFL. Seu vice era José
Sarney, o qual acabou assumindo
o governo. Foram eleitos pelo colégio eleitoral, no dia 15 de janeiro de 1985,
derrotando com tranqüilidade o candidato Paulo Maluf.
Pouco tempo antes de tomar
posse, Tancredo Neves foi acometido de uma forte dor no abdômen. Foi internado
às pressas e operado. Mas não resistiu, vindo a falecer em 21 de abril daquele
ano. Até hoje não se sabe a causa exata de sua morte.
Vice assume
Com a morte de Tancredo,
assumiu a Presidência seu vice. Político contraditório, José Sarney de Araújo
Costa havia apoiado o regime militar, inclusive votou contra a emenda Dante de Oliveira, que garantiria eleições diretas em 1985. Mesmo
assim, foi eleito na chapa favorável a redemocratização do país.
Tentando superar esta imagem
negativa, Sarney assumiu o governo prometendo cumprir as propostas firmadas
anteriormente por Tancredo. Ele inclusive permitiu que as eleições para
prefeito naquele ano fossem realizadas pelo voto popular.
Sarney pegou um Brasil
arruinado. Os índices de inflação eram altíssimos, a população sofria com
desemprego, miséria e a dívidas externa e interna herdadas do período militar
assolavam ainda mais o país.
Plano econômico
No início de 1986, o governo
lançou um plano econômico que visava, principalmente, o controle da inflação.
Liderado pelo ministro da Fazenda, Dílson Funaro, O Plano Cruzado,
como ficou conhecido, previa as seguintes medidas:
- Criação de uma nova moeda –
Cruzado – em substituição ao Cruzeiro que estava muito desvalorizado;
- Congelamento do preço das
mercadorias;
- Congelamento de salários,
adotando o “gatilho salarial” (reajuste de salários quando a inflação atingisse
valor igual ou maior que 20%);
- Fim da correção monetária.
Este Plano foi muito
criticado. Empresários, prejudicados pelo congelamento de preços, indicavam os
gastos abusivos do governo como causa da superinflação.
A população,
porém, aprovou a iniciativa do novo presidente. Os consumidores passaram a
fiscalizar os preços e a denunciar se houvesse remarcação. Mas a euforia durou
pouco. Os produtos começaram a sumir das prateleiras, o preço dos aluguéis
disparou e a inflação voltou a subir.
Foram lançados
outros planos para combater a inflação: Cruzado II, Bresser, Verão. Mas todos fracassaram. Sarney deixou a presidência em 1990, sem
conseguir equilibrar as contas do país e a inflação.
Constituição
A fim de mostrar
seu interesse na redemocratização do país, Sarney convocou no início de 1987
uma Assembléia Constituinte, para elaborar uma nova Constituição. A Assembléia
Constituinte foi composta por Deputados e membros do Senado.
Representantes da
sociedade acompanharam de perto os trabalhos dos constituintes. O fim da
ditadura militar ainda era recente, por isso um dos principais objetivos da
Constituição era estabelecer a democracia no Brasil.
Depois de 20 meses
de trabalhos, discussões, no dia 05 de outubro de 1988 foi promulgada a
Constituição do Brasil, a mesma que está em vigor atualmente. Ficou conhecida
como Constituição Cidadã, tendo como garantias e deveres:
- Eleições diretas
para os cargos executivos e legislativos e sistema de presidencialismo;
- Possibilidade de
criação das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs);
- Igualdade e
direitos para cidadãos: liberdade para trabalhar, para expressar o pensamento,
liberdade de religião, acesso à saúde, educação, etc;
- Direitos
trabalhistas foram reafirmados: jornada de trabalho de 44 horas semanais, FGTS,
entre outros.
Fim do
governo Sarney
O mandato de José
Sarney terminaria em 1990. Em 1989 foram realizadas as eleições. Após 20 anos,
o povo pode ir às urnas para eleger seu candidato à Presidência.
Sarney não se opôs
à campanha eleitoral, em nenhum momento. Mesmo porque este direito estava
garantido na Constituição, promulgada em 1988. Seu sucessor, eleito pelo voto
popular, foi Fernando Collor de Mello.
http://www.infoescola.com/historia/governo-de-jose-sarney/
O governo de José Sarney
...foi inicialmente marcado pela
frustração político-ideológica da volta à democracia com a morte de Tancredo
Neves. Ocupando o posto de vice-presidente, Sarney foi o primeiro civil a tomar
posse do governo presidencial após os anos da ditadura. Historicamente ligado
às tradicionais oligarquias nordestinas, o governo José Sarney tinha a difícil
missão de recuperar a economia brasileira sem abrir mão dos privilégios das
elites que apoiavam.
Buscando contornar a crise da
economia, Sarney montou uma equipe econômica contrária a antiga política
econômica do período militar. A nova equipe foi responsável pela criação, em 1986,
do Plano Cruzado. Adotando políticas de controle dos salários e dos preços, o
governo esperava conter o desenfreado processo de inflação que assolava a
economia brasileira. No primeiro instante, os objetivos desse plano foram
alcançados: a inflação atingiu valores negativos, o consumo aumentou e os
fundos aplicados foram lançados na economia.
Alguns meses mais tarde, a euforia de
consumo levou o plano à falência. A estabilização forçada dos preços retraiu os
setores produtivos e acabou fazendo com que os bens de consumo desaparecessem
das prateleiras dos supermercados e das empresas. Muitos fornecedores passaram
a cobrar um ágio sob a obtenção de determinados produtos. Além disso, as
reservas cambiais do país foram empregadas na obtenção das mercadorias
essenciais que desapareceram da economia nacional.
A fuga das reservas motivou um
processo de crise econômica marcado pela moratória, ou seja, o não pagamento
dos juros da dívida externa brasileira. Não suportando mais tal conjunto de
medidas, o controle dos preços foi eliminado e assim a inflação voltava a
disparar. Mesmo ainda tentando novos planos (Bresser, 1987; e Verão, 1989) a
economia brasileira não conseguia vencer seu problema inflacionário. No ano de
1989, a inflação anual já alcançava 1764%.
A ineficiência do campo econômico, só
não ganhou maior destaque na época devido às movimentações políticas em torno
da Constituição de 1988. Esperada como uma nova lei que acabasse com os últimos
entraves do sistema repressivo militar e garantisse as liberdades civis e
políticas, a nova constituição ofereceu ganhos significativos nas questões das
liberdades e dos direitos individuais.
Em contrapartida, essa nova
constituição criou um grande problema judiciário devido a sua extensão e
riqueza de detalhes. Muitos aspectos da economia, dos poderes instituídos e
alguns grupos da sociedade foram prejudicados com o aspecto eminentemente
burocrático da constituição. Além disso, sua infinitude de artigos abriu
brechas para a contradição das diretrizes constitucionais.
Mesmo com tais problemas, a nova
carta reintroduziu a população ao jogo político nacional e garantiu o
estabelecimento de princípios democráticos. No ano de 1989, uma nova eleição
presidencial inaugurou o período da Nova República com a eleição de Fernando
Collor de Mello.
Governo
Collor
Após quase trinta anos sem
eleições diretas para Presidente da República, os brasileiros puderam votar e
escolher um, entre os 22 candidatos que faziam oposição ao atual presidente
José Sarney. Era novembro de 1989. Após uma campanha agitada, com trocas de
acusações e muitas promessas,Fernando
Collor de Mello venceu seu
principal adversário, Luís Inácio Lula da Silva.
Collor conquistou a simpatia
da população, que o elegeu com mais de 42% dos votos válidos. Seu discurso era
de modernização e sua própria imagem validou a idéia de renovação. Collor era
jovem, bonito e prometia acabar com os chamados “marajás”, funcionários
públicos com altos salários, que só oneravam a administração pública.
Sua primeira medida, ao tomar
posse no dia 15 de março de 1990, foi anunciar seu pacote de modernização
administrativa e vitalização da economia, através do plano Collor I, que
previa, entre outras coisas:
- Volta do Cruzeiro como
moeda;
- Congelamento de preços e
salários;
- Bloqueio de contas correntes
e poupanças no prazo de 18 meses;
- Demissão de funcionários e
diminuição de órgãos públicos;
O objetivo deste plano,
segundo Collor, era conter a inflação e cortar
gastos desnecessários do governo. Porém, estas medidas não tiveram sucesso,
causando profunda recessão, desemprego e insatisfação popular.
Trabalhadores, empresários,
foram surpreendidos com o confisco em suas contas bancárias. O governo chegou a
bloquear em moeda nacional o equivalente a oitenta bilhões de dólares.
O governo Collor também deu
início às privatizações das estatais e à redução das tarifas alfandegárias. Com
produtos importados a preços menores, a indústria nacional percebeu a
necessidade de se modernizar e correr atrás do prejuízo.
Seis meses após o primeiro
pacote econômico, Collor lançou um segundo plano, o Collor II, que também
previa a diminuição da inflação e outros cortes orçamentários. Mas, novamente,
não obteve êxito e só fez aumentar o descontentamento da população.
A ministra da Economia, Zélia
Cardoso de Mello, não suportou a pressão e em maio de 1991 pediu demissão do
cargo. Em seu lugar, assumiu Marcílio Marques Moreira, até então embaixador do
Brasil, em Washington. Marcílio não lançou nenhuma medida de impacto. Sua
proposta era liberar os preços e salários gradualmente, porém não teve bons
resultados.
A esta altura, surgiram várias
denúncias de corrupção na administração Collor, envolvendo ministros, amigos
pessoais e até mesmo a primeira dama, Rosane Collor. Paulo César Farias,
ex-tesoureiro da campanha e amigo do presidente, foi acusado de tráfico de
influência, lavagem e desvio de dinheiro.
Em entrevista à revista Veja,
Pedro Collor, irmão do presidente, foi quem revelou os esquemas, que envolviam
também Fernando Collor. A notícia caiu como uma bomba. A população, já
insatisfeita com a crise econômica e social, revoltou-se contra o governo.
Foi instalada uma CPI (Comissão
Parlamentar de Inquérito), a fim de
investigar a participação de Collor no esquema chefiado por PC Farias. Num ato desesperado para salvar seu mandato, Collor
fez um discurso em rede nacional e pediu para que os brasileiros fossem às
ruas, vestidos de verde e amarelo, em gesto de apoio ao presidente. Realmente,
o povo foi às ruas, mas vestido de preto e exigindo o impeachment de Collor.
No dia 29 de setembro de 1992
a Câmara dos Deputados se reuniu para votar o impeachment do presidente, ou
seja, sua destituição do cargo. Foram 441 votos a favor do impeachment e
somente 38 contra. Era o fim do “caçador de marajás”. No lugar de Collor,
assumiu o vice-presidente, Itamar Franco.
Governo Collor
O
Governo Collor foi o primeiro da chamada “Nova República”, inaugurada com a
promulgação da Constituição de 1988.
1) Fernando Collor de Mello
Fernando Collor de Mello nasceu no Rio de Janeiro, em 1949, mas foi criado em
constante mudança entre mais duas cidades: Brasília e Maceió. Foi prefeito
dessa última, governador do estado de Alagoas e presidente da República, além
de ter exercido mandatos também como parlamentar. Collor foi o primeiro
presidente do Brasil após o período de redemocratização, iniciado em 1979 e
concluído com a Constituição de 1988. Foi também o
primeiro presidente a ter seus direitos políticos cassados por meio do julgamento
de um processo de impeachment, ocorrido em dezembro de 1992.
2) Início da carreira política
e a eleição presidencial de 1989
Collor é filho do empresário,
jornalista e político alagoano já falecido, Arnon Farias de Mello,
fundador do periódico Gazeta
de Alagoas, que Collor
chegou a dirigir nos anos 1970. Arnon foi partícipe de uma das cenas mais
lamentáveis da história política do Brasil. Ele tentou matar a tiros, dentro do
Senado Federal, outro senador, Silvestre Péricles, seu desafeto. Entretanto, os
tiros acabaram vitimando outro congressista, o senador José Kairala.
Fernando Collor foi prefeito
da capital de Alagoas entre os anos de 1979 e 1983, isto é, em pleno período de
abertura democrática. Logo depois conseguiu eleger-se deputado federal pelo
mesmo estado, mandato que exerceu entre os anos de 1983 e 1987. Mas já em 1986,
ele deu início à sua campanha ao governo de Alagoas, valendo-se do Gazeta de Alagoas para criar
uma imagem que lhe daria projeção nacional: a imagem do “caçador de marajás”.
“Marajás” era um termo
pejorativo usado entre os alagoanos para descrever as pessoas que se
beneficiavam da burocracia estatal, isto é, funcionários públicos nomeados por influência
política, que tinham um gordo salário e quase nenhum trabalho a ser
efetivamente executado. A condução de medidas contra a burocracia estatal e as
tentativas de tornar a máquina pública mais ágil e eficiente projetaram
nacionalmente Collor, o que levou à sua candidatura à presidência, em 1989.
Para concorrer às eleições
diretas para a presidência, Collor emplacou sua candidatura pelo PRN(Partido da Reconstrução Nacional) e aliou-se à ala
liberal e progressista da política brasileira da época, contra as candidaturas
de esquerda, representadas, principalmente, pelos nomes de Lionel Brizola, do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), e de Luís Inácio “Lula” da Silva, do Partido
dos Trabalhadores (PT). Collor foi para o segundo turno com Lula e
acabou vencendo com 53% dos votos contra 56% do adversário.
3) Principais características
do governo Collor
A posse de Collor ocorreu em
15 de março de 1990. No dia seguinte, houve o lançamento do Plano Collor I,
cujo objetivo era o combate à inflação herdada dos anos anteriores. Esse
programa econômico previa a estabilização monetária a médio prazo, mas
dependeria de algumas medidas impopulares, como o bloqueio dos ativos financeiros
(movimentações da caderneta de poupança) acima de 50 mil cruzeiros. Em seguida,
em 31 de janeiro de 1991, houve o Plano
Collor II, que agravou as
medidas anti-inflacionárias, como diz o historiador Marco Antônio Villa:
“Promoveu-se um tarifaço nos preços
administrados pelo governo. A energia elétrica subiu 59,5%; gasolina e álcool,
46%; telefone, 56,6%; e o gás de cozinhas, 50%. O governo coletou dados para o
cálculo da inflação até o dia 28 de janeiro e, dessa forma, expurgou do índice
o tarifaço imposto três dias antes depois, que, segundo cálculos, representaria
aproximadamente mais 5% na taxa oficial. A intenção, assim, acabou ficando em
20,21%.” [1]
À frente dos planos
econômicos, estava a economista Zélia Cardoso e sua equipe.
Além dos aspectos propriamente
econômicos, Collor ainda se caracterizou por ter dado início aos programas de
privatização de indústrias ligadas ao setor primário, isto é, a indústria
pesada (metalurgia e siderurgia), e por ter tentado dar maior flexibilidade à
gestão pública dessas empresas, internacionalizando seus capitais.
4) Escândalo de corrupção, impeachment e
renúncia
Em seu terceiro ano de
governo, Collor foi denunciado por seu próprio irmão, Pedro, em uma entrevista
dada à revista Veja! Nessa
entrevista, Pedro Collor disse que o irmão era participante direto do esquema
de corrupção montado por Paulo
César Farias, ou PC Farias, que
havia sido tesoureiro da campanha do presidente. PC Farias já era investigado
pela Polícia Federal, mas até o momento da entrevista de Pedro, a investigação
não havia chegado ao presidente.
As denúncias de Pedro
proporcionaram a criação de uma Comissão
Parlamentar de Inquérito contra
Collor para investigar os fatos. Houve também a abertura de um processo na
justiça comum contra o presidente pela mesmas acusações. Em 29 de setembro de
1992, o processo de impeachment foi acolhido pela Câmara dos Deputados. Os
autores do processo, que foi protocolado no dia 3 do referido mês, eram Barbosa Lima Sobrinho e Marcello
Lavanère Machado. A denúncia
versava sobre crime de responsabilidade, previsto no art. 85 da Constituição
Federal e Lei n. 1.079 de 1950.
O processo foi aprovado na
Câmara e seguiu para o Senado, onde foi julgado, no dia 29 de dezembro de 1992,
por 79 senadores. Como narra o jornalista Mário Sérgio Conti, em seu livro Notícias do Planalto – A imprensa e Fernando Collor:
Na manhã de terça-feira, 29 de
dezembro de 1992, o Senado se reuniu para julgar Fernando Collor. Vinte minutos
depois de iniciada a sessão, José de Moura Rocha, advogado do réu, pediu a
palavra e leu uma carta de seu cliente, endereçada ao presidente do Congresso,
o senador Mauro Benevides. ''Levo ao conhecimento de Vossa Excelência que,
nesta data, para o qual fui eleito nos pleitos de 15 de novembro e 17 de
dezembro de 1989'', escreveu Collor na carta. A sessão foi interrompida.'' À
uma da tarde, Itamar Franco assumiu definitivamente a Presidência da República.
No dia seguinte, o Senado retomou os trabalhos e continuou o julgamento. Por 76
votos a três, o ex-presidente foi considerado culpado. Os senadores também
decidiram impedi-lo de exercer qualquer função pública até 2000. [2]
Vê-se que Collor optou pela
renúncia antes que o impeachment começasse a ser julgado. Os senadores, porém,
valendo-se da prerrogativa de que o impeachment é um processo político, decidiram continuar a seção,
que acabou resultando na inelegibilidade (não poderia ser eleito) por oito anos
de Fernando Collor, que foi sucedido pelo seu vice, Itamar Franco.
Governo de Itamar Franco
Mediante a crise que se instaurava com as
denúncias de corrupção contra Collor, a figura pacata e discreta do
vice-presidente Itamar Franco estabeleceu uma espécie de contrapeso. Executado
o processo de impeachment, ele se tornou o novo presidente do país e teve o
respaldo de uma ampla coalizão de partidos. Fundamentalmente, sua missão seria
promover uma transição segura e tranquila até que um novo processo eleitoral determinasse
a escolha de outro presidente.
Empossado em dezembro de 1992, o novo
presidente do Brasil teve como primeira missão realizar um plebiscito previsto
pela Constituição de 1988. Na votação, a população iria decidir qual forma de
governo deveria ser adotada no país. Ao fim da contagem, a República
presidencialista acabou sendo preservada com mais da metade dos votos válidos.
Enquanto isso, as questões econômicas continuavam a alarmar a população como um
todo.
No final de 1993, uma nova equipe
econômica foi formada sob a liderança de Fernando Henrique Cardoso, sociólogo
que então assumia o Ministério da Fazenda. No dia 28 de fevereiro de 1994, o
governo anunciou o Plano Real, posto como mais uma tentativa realizada em prol
da recuperação da economia e o combate imediato de nossas taxas inflacionárias.
Pelo novo plano, uma nova moeda, o Real, iria promover a estabilidade econômica
através da paridade da moeda com as reservas cambiais disponíveis.Para que
essas taxas cambiais assegurassem a estabilidade da moeda, o governo interveio
na economia estabelecendo uma política de juros elevada. Com isso, a economia
brasileira ganhava a capacidade de atrair capitais estrangeiros sem maiores
dificuldades. Apesar de arriscado, esse modelo de desenvolvimento da economia
conseguiu captar recursos e combater a inflação em um curto prazo de tempo. Uma
nova esperança era injetada em amplas camadas da população. Ao fim de seu breve mandato, Itamar
Franco experimentou o auge de sua popularidade. Nas eleições de 1994, o ministro
Fernando Henrique Cardoso aproveitou do bom momento para lançar a sua
candidatura à presidência do país, pelo PSDB. Valendo-se como autor e
mantenedor do Plano Real, ele conseguiu vencer as eleições sem maiores
dificuldades.
Governo de Itamar
Franco
O governo de Itamar Franco irá se notabilizar por dois importantes
acontecimentos, um na área política, e outro na área econômica. Em relação à
área política, coube a Itamar cumprir o dispositivo constitucional que previa a
realização de um duplo plebiscito, tratando primeiramente do regime a ser
instituído no Brasil, ou seja, a manutenção do regime republicano ou a
restauração da monarquia em território nacional; o segundo ponto do plebiscito
versava sobre a forma com que este governo deveria se organizar, se sob forma
presidencialista ou parlamentarista. Tal consulta ocorreu em abril de 1993,
confirmando o sistema que vinha sendo adotado, e que ainda o é, de república
presidencialista.
Destaca-se ainda na área
política a realização da chamada "CPI do orçamento", que como indica
o nome, procurou investigar denúncias de corrupção relacionadas a
irregularidades no orçamento da União. As investigações revelaram o esquema dos
chamados "anões do orçamento", assim chamados devido às baixas
estaturas dos envolvidos no esquema de corrupção, todos parlamentares,
ministros e ex-ministros, além de governadores estaduais.
Mas, o fato pelo qual talvez
seja mais lembrado o período de Itamar Franco no poder é o de elaboração do
Plano Real, tendo o auxílio do então senador Fernando Henrique Cardoso, recém
empossado como ministro da Fazenda (Economia), que arregimentou uma equipe
econômica disposta a enfrentar o problema da hiperinflação, que há mais de uma
década assombrava as contas brasileiras, corroendo os ganhos da população.
Itamar havia nomeado até então três ministros, sendo que em nenhum momento os
antecessores de Fernando Henrique obtiveram sucesso. O mérito do chamado Plano
Real, essencialmente, foi o de sanear as contas públicas, cortando os gastos
supérfluos do Estado, criando ainda um fundo para onde o dinheiro
"desperdiçado" pela administração deveria ser colocado. Para enxugar
a máquina estatal, realizou-se a privatização de várias empresas
governamentais, operação até hoje polêmica, pela ideia de que o patrimônio
público foi desfeito por um preço irrisório. Procurou-se ainda diminuir o
consumo da população, aumentando a taxa de juros, recurso de que ainda hoje os
sucessores da pasta da Economia se utilizam quando há um risco de aquecimento
do consumo, um dos principais focos de inflação.
Tudo isso porém não seria
possível se não fosse a habilidade do presidente e de seu ministro em conseguir
a união das mais diversas facções políticas em torno deste plano. É exatamente
aí que mora o sucesso do Plano Real e sua consequente estabilidade, pois, os
presidentes anteriores, temendo melindrar as forças políticas, econômicas e
sociais do país, não se importaram em unir todos estes importantes grupos no
objetivo comum de conter a alta de preços. Foi preciso o trauma da
hiperinflação, que durou anos, para conscientizar todos os detentores de algum
poder no país, que era necessário uma mudança no comportamento
"gastão" da administração pública. Itamar uniu todos os grupos em
torno das mudanças a serem feitas, além de procurar explicar à população o que
seria feito e conclamar a união de todos na aceitação das mudanças, algo
simples, mas que ainda não havia sido feito.
Além dos grandes
acontecimentos no âmbito econômico, Itamar ficou conhecido pelo estilo um tanto
"folclórico", com seu inimitável topete, sua constante rabugice, ou
ainda nos episódios com a modelo Lilian Ramos, que apareceu ao lado deste,
fotografada sem calcinha, além da solicitação (atendida) do presidente para que
se voltasse a produzir o Fusca, veículo símbolo da indústria automobilística
nacional, fora de linha desde 1986.
http://www.infoescola.com/historia/governo-de-itamar-franco/
EPÚBLICA POPULISTA(1946-1964): LINK
República Populista (1945-1964): Bóris Fausto
ILUMINISMO