Erva mate em Mato Grosso do Sul
Confira o link:
Independência da América Espanhola
e
Direitos do Cidadão"
Link abiaxo:
https://pt.slideshare.net/fillipelobo/direitos-humanos-e-cidadania
*]Questões para responder:
O que são os direitos humanos?
Em que se fundamentam os direitos humanos?
Qual a origem da Declaração Universal dos Direitos Humanos?
Quais são os propósitos da Declaração Universal dos Direitos
Humanos?
Quais os impactos da Declaração nos dias atuais?
http://www.sohistoria.com.br/ef2/culturaafro/p4.php
A escravidão no mundo contemporâneo
“Ninguém será mantido em escravidão ou
servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas
formas.”
Artigo IV da DECLARAÇÃO UNIVERSAL
DOS DIREITOS HUMANOS
Proclamada pela da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
De acordo com a lei a escravidão não
existe mais. O último país a abolir a escravidão foi a Mauretânia em 1981.
Porém a escravidão continua em muitos países, pois as leis não são aplicadas.
Elas foram somente feitas pela pressão de outros países e da ONU, mas não
representam a vontade do governo do respectivo país. Hoje em dia tem pelo menos
27 milhões escravos no mundo.
Quando falamos de trabalho escravo, a
imagem que temos é de uma lembrança do passado, restrita aos livros de
História. Infelizmente isso não é verdade. A escravidão permanece até os dias
de hoje, não apenas nos países pobres como nos desenvolvidos. Produto da
desigualdade e da impunidade, ela é uma grave doença social. Em sua forma
contemporânea apresenta-se nas mais diversas formas: da prostituição infantil
ao tráfico de órgãos, do tráfico internacional de mulheres à exploração de
imigrantes ilegais e à servidão por dívida.
A legislação moderna proíbe a
escravidão, mas isso não tem impedido que pessoas inescrupulosas se beneficiem
do trabalho de pessoas cativas. Nenhuma região do planeta está livre desse
flagelo.
O número de trabalhadores escravizados no Brasil varia de 25 mil, segundo
cálculo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) a 40 mil, pela estimativa da
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(Contag). Pecuária e
desmatamento respondem por três quartos da incidência de trabalho escravo.
Atividades agrícolas, de extração de madeira e produção de carvão também
registram muitos casos.
Em março de 2003 foi lançado no Brasil o
Plano Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo que constituiu uma comissão
nacional para colocá-lo em execução. O plano reúne 76 medidas de combate à
prática. Entre elas, projetos de lei para confiscar terras em que for
encontrado trabalho escravo, suspender o crédito de fazendeiros escravocratas e
transferir para a esfera federal os crimes contra os direitos humanos.
Nos países árabes e em outros países
muçulmanos existem também escravos tradicionais. A caça de escravos
negros, visando a captura de moças e crianças bonitas para serem escravas
domésticas ou ajudantes para vários trabalhos, existe principalmente no Sudão.
Na escravatura branca (tráfico humano para a prostituição forçada) se encontram
presas milhões de moças, principalmente de países pobres como Ucrânia,
Moldávia, Rússia, África, Índia e países, que a prostituição tem
tradicionalmente muito peso, como a Tailândia e as Filipinas. As meninas são
aliciadas com falsas promessas, vendidas e tem que prostituir-se até a dívida
(o preço pelo compra e adicionais) é paga. Muitas vezes a mulher escravizada é
vendida a seguir e tudo começa de novo. Um círculo vicioso sem conseguir
escapar.
Infelizmente, nessas estatísticas não
são contadas milhões de mulheres e meninas, que pela tradição ou até as leis em
muitos países muçulmanos e outras regiões são consideradas propriedade de seus
maridos ou pais.
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Proclamada pela da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948
O número de trabalhadores escravizados no Brasil varia de 25 mil, segundo cálculo da Comissão Pastoral da Terra (CPT) a 40 mil, pela estimativa da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura(Contag). Pecuária e desmatamento respondem por três quartos da incidência de trabalho escravo. Atividades agrícolas, de extração de madeira e produção de carvão também registram muitos casos.
LINK SOBRE REVOLUÇÃO FRANCESA;
http://pt.slideshare.net/LianaSuzuki/revoluo-francesa-3553181http://www.sohistoria.com.br/ef2/culturaafro/p4.php
Atividades:
1]O
Imperialismo, ocorrido no séc. XIX, tinha como objetivos,
exceto:
a)
desenvolver o capitalismo industrial.
b)
garantir mercado consumidor.
c)
buscar matérias-primas básicas na África e Ásia.
d)
exercer o domínio político e econômico na África e na Ásia
2]
Em
relação à expansão imperialista na Ásia, na segunda metade do século XIX,
pode-se afirmar que o Império Chinês foi
a)
anexado ao Japão anulando a ameaça imperialista.
b)
desmembrado em colônias pelas potências européias.
c) dividido em zonas de influência pelos
países ocidentais.
d) incorporado
ao Império Britânico compondo a Commonwealth
3]A expansão imperialista sobre os territórios asiáticos
e africanos no decorrer do século XIX foi, antes de tudo, um ato de conquista.
A partir desta afirmativa, identifique a opção que indica a nação européia
expansionista, a região colonizada e o movimento de resistência possíveis de
inter-relacionar-se corretamente.
a) França / Argélia / Guerra do Boxers
b) Inglaterra / Índia / Revolta dos Cipaios.
c) Inglaterra / Sudão / Revolta dos Boers.
d) Portugal / Angola / MPLA.
e) Alemanha / China / Movimento Taiping.
4] A revolução
Meiji é um evento da história do Japão que determinou:
a) o processo de
avanço do capitalismo internacional na área da Ásia e o movimento de defesa de
um Japão socialista, próximo da experiência da China.
b) o movimento
de defesa das tradições orientais que propunha a união com a China a fim de
fortalecer as áreas orientais contra o imperialismo ocidental.
c) divisões
internas das elites dirigentes decorrentes das diferentes visões com relação à cultura
ocidental – os progressistas, aliados da China, e os conservadores, aliados dos
países ocidentais – reconheciam que a manutenção de uma estrutura fragmentada
das ilhas limitava o desenvolvimento da agricultura e que a saída era a
industrialização.
d) a
modernização da estrutura econômica japonesa, facilitou a entrada de capital
estrangeiro,o processo de urbanização e a alteração de valores, desencadeando a
ocidentalizaçãodo Japão.
5] Sobre o
imperialismo do século XIX são feitas as afirmações abaixo:
I. Constituiu
uma marca do capitalismo em sua etapa monopolista financeira.
II. Esteve
associado à disputa entre as nações industriais por mercados consumidores.
III. Estimulou a
política econômica mercantilista dos estados absolutistas.
IV. Manteve
acesa a crença da superioridade européia em relação aos povos colonizados.
V. Contribuiu
decisivamente nas rivalidades que geraram a Primeira Guerra Mundial.
Quais estão
corretas?
a) Apenas I, II,
III e IV. d) Apenas I, III, IV e V.
b) Apenas I, II,
IV e V. e) Apenas II, III, IV e V.
c)
Apenas I, II, III e V.
6] “O continente
africano está associado, hoje, a endemias, Aids, miséria, massacre de etnias,
tribalismo, ditaduras, guerras civis...”
A origem desses
problemas na África está:
a) na partilha
do continente no século XIX, pelas potências imperialistas européias, que acentuou
rivalidades já existentes.
b) no fracasso
do processo de industrialização promovido no século XIX, por decisão da Conferência
de Berlim.
c) na
desorganização do rentável tráfico negreiro, que abastecia as colônias
americanas, devido à crise do escravismo.
d) na disputa
entre as superpotências, EUA e URSS, durante a bipolarização entre capitalismo e
socialismo.
e) nos efeitos
devastadores que as duas guerras mundiais causaram no continente, palco de
batalhas decisivas.
7] Dentre os
fatores que geraram o imperialismo, na segunda metade do século XIX, identifica-se
a
a) consolidação
dos ideais democráticos baseados nos princípios de soberania nacional e autogoverno
dos povos.
b) diminuição da
população européia que representava uma ameaça à eficácia produtiva de suas
indústrias.
c) procura de
novas regiões que pudessem fornecer matérias-primas e comprar produtos manufaturados
dos países industrializados.
d) urgência de
desenvolver novos mercados produtores de manufaturados nas áreas periféricas da
África.
8] A expansão
neocolonialista européia do final do século XIX resultou, entre outras
conseqüências,
a) na divisão
geopolítica do mundo em dois blocos antagônicos (capitalista e socialista) e na
aceleração da corrida armamentista;
b) no surgimento
do bloco dos países do Terceiro Mundo e no enfraquecimento do papel desempenhado
pelo Império japonês na Ordem Mundial até então existente;
c) na partilha
da Ásia e da África e na intensificação dos conflitos imperialistas que
desembocaram na Primeira Guerra Mundial;
d) na diminuição
da produção industrial das potências do Velho Mundo e na elevação dos índices
de desemprego nesse setor da economia;
e) na
pacificação dos conflitos nacionais e tribais, travados nos países africanos e
asiáticos e no surgimento da Organização das Nações Unidas.
9]A
partir da segunda metade do século XIX, as potências européias começaram a
disputar áreas coloniais na África, na Ásia e na Oceania. Seus objetivos eram a
busca por fontes de matérias-primas, mercado consumidor, mão-de-obra e
oportunidades para investimento. As justificativas morais para essa
colonização, no entanto, estavam relacionadas com o que se chamava de
darwinismo social, cujo significado é:
a)
O homem branco tinha a tarefa de cristianizar as populações pagãs de outros
continentes, resgatando-as de religiões animistas e de práticas antropofágicas.
b)
O homem branco de origem européia estava imbuído de uma missão civilizadora,
através da qual deveria levar para seus irmãos de outras cores, incapazes de
fazer isso por si mesmos, as vantagens da civilização e do progresso, resgatando-os
da barbárie e do atraso aos quais estavam submetidos.
c)
Os colonizadores europeus tinham a tarefa de ensinar os princípios fundamentais
da democracia, ensinando aos povos colonizados o processo de governo
democrático, permitindo-lhes se afastar de governos tirânicos e autocratas.
d)
A colonização tinha como tarefa repassar aos povos colonizados os fundamentos
da economia capitalista, para que eles mesmos pudessem gerenciar as riquezas de
seus territórios e, com isso, possibilitar o desenvolvimento social de seu
país.
10]"...Nós
conquistamos a África pelas armas... temos direito de nos glorificarmos, pois
após ter destruído a pirataria no Mediterrâneo, cuja existência no século XIX é
uma vergonha para a Europa inteira, agora temos outra missão não menos
meritória, de fazer penetrar a civilização num continente que ficou para
trás..."
("Da
influência civilizadora das ciências aplicadas às artes e às indústrias".
Revue Scientifique, 1889)
I
- A idéia de partir da citação anterior e de seus conhecimentos acerca do tema,
examine as afirmativas a seguir.levar a civilização aos povos considerados
bárbaros estava presente no discurso dos que defendiam a política imperialista.
II
- Aquela não era a primeira vez que o continente africano era alvo dos interesses
europeus.
III
- Uma das preocupações dos países, como a França, que participavam da expansão
imperialista, era justificar a ocupação dos territórios apresentando os
melhoramentos materiais que beneficiariam as populações nativas.
IV
- Para os editores da Revue Scientifique (Revista Científica), civilizar
consistia em retirar o continente africano da condição de atraso em relação à
Europa.
Assinale a
alternativa correta.
a) Somente a
afirmativa IV está correta.
b) Somente as
afirmativas II e IV estão corretas.
c) Somente as
afirmativas I e III estão corretas.
d) Somente as
afirmativas I, II e III estão corretas.
e) Todas as
afirmativas estão corretas.
11]Um dos fatores
decisivos para as rivalidades políticas da segunda metade do século XIX foi:
a) o apoio da
Inglaterra à emancipação política da América Latina.
b) as disputas
entre Estados católicos e Estados protestantes.
c) as divergências
entre capitalistas e socialistas utópicos no que dizia respeito às conduções
dos negócios do Estado.
d) a disputa
colonial e o parcelamento dos continentes.
e) a luta entre
Estados com regime constitucional e os que defendiam o Absolutismo.
12]Essa
repartição do mundo entre um pequeno número de Estados foi a expressão mais
espetacular da crescente divisão do planeta em fortes e fracos, em
"avançados e atrasados". Entre 1876 e 1915, cerca de um quarto da
superfície do globo foi distribuído ou redistribuído, como colônia, entre meia
dúzia de Estados.
(adaptado de
E. Hobsbawm. "A Era dos Impérios")
Leia as afirmativas a seguir,
identificando com V as verdadeiras e com F, as falsas.
( ) Os
maiores beneficiados neste processo foram as empresas européias e
norte-americanas, que passaram a financiar a exploração de minas, a
monocultura, a eletrificação de cidades e a construção de pontes, portos,
canais e ferrovias, a fim de favorecer o setor exportador de cada região sob
sua influência.
( )
Para justificar suas ações, o neocolonialismo caracterizava-se como uma missão,
cujo dever moral era acabar com as doenças tropicais, com o canibalismo, o
escravismo e o paganismo, levando a higiene, a instrução, o cristianismo, a
ciência, enfim, o progresso aos "povos atrasados".
( ) A posse de colônias significava ter o status
de potência. Isso gerou uma tensão permanente entre os países colonizadores,
devida à divisão desigual das áreas de dominação. Países como a Alemanha e a
Itália ficaram insatisfeitos com a parte que lhes coube na divisão colonial, o
que provocou a ruptura do equilíbrio europeu.
( ) O sistema imperialista foi responsável pelo
desenvolvimento dos países colonizados e sua inserção no processo civilizatório
europeu e norte-americano.
( ) O traço original do capitalismo foi o
investimento de capitais e a criação de filiais. Assim, as relações
capitalistas foram se distribuindo por todo o planeta.
13]Após ler o texto responda: Você concorda que o cargo do principe Charles é o pior emprego do mundo? Conforme afirmou Thomas Favaro, no capítulo 1 do seu livro didático. Justifique.
Milhares de camponeses hindus estão se suicidando depois de utilizar sementes geneticamente modificadas
Via
Rebelión
O
genocídio transgênico
Andrew
Malone - Daily Mail
Tradução:
Renzo Bassanetti
Quando
o príncipe Charles afirmou que milhares de camponeses hindus se suicidam depois
de utilizar cultivos transgênicos, foi tachado de alarmista. De fato, como
revela esta arrepiante reportagem, a situação é ainda pior da que o príncipe
temia.
As
crianças estavam desoladas. Emudecidos pelo choque e lutando para conter suas
lágrimas, se amontoavam junto a sua mãe, enquanto amigos e vizinhos preparavam
o cadáver para incinerá-lo em uma ardente fogueira erigida sobre os rachados e
desérticos campos próximos à sua casa.
Enquanto
as chamas consumiam o cadáver, Ganjanan, de 12 anos, e Kalpana, de 14,
enfrentam um futuro sombrio. Ainda que Shankara Mandaukar tivesse acariciado a
esperança de que seus filhos teriam uma vida melhor na esteira do boom
econômico da Índia, ambos enfrentam agora a possibilidade de ter que trabalhar
como mão de obra escrava em troca de alguns centavos ao dia. Camponeses sem
terra e sem casa, serão o mais baixo da parte de baixo.
Shankara,
respeitado camponês, marido e pai carinhoso, tinha se suicidado. Menos de 24
horas antes, diante da perspectiva de perder suas terras, bebeu uma taça de
inseticida químico.
Incapaz
de pagar uma soma equivalente à suas receitas de dois anos, caiu presa do
desespero. Não via nenhuma saída.
Ainda
ficaram no pó as marcas onde Shankara se retorceu em sua agonia. Outros aldeãos
o observavam – sabiam, por experiência, que era inútil intervir – enquanto ele
jazia dobrado sobre o chão, vomitando e gritando de dor.
Arrastou-se,
gemendo, até um banco situado à frente da sua humilde casa, a 100 quilômetros
de Nagpur, na Índia central. Uma hora depois, deixou de emitir sons. Logo,
deixou de respirar. Às 17 horas do domingo, a vida de Shankara Mandaukar chegou
ao seu fim.
Enquanto
os vizinhos se reuniam para rezar fora da sua casa, Nirmala Mandaukar, de 50
anos, contou como regressou correndo dos campos para encontrar seu marido
morto. "Era um homem carinhoso e atento”, disse, chorando em silêncio.
“Mas não pôde agüentar mais. A angústia mental era demais. Perdemos tudo”.
As
colheitas de Shankara falharam duas vezes seguidas. Certamente, a fome e as
doenças fazem parte da antiga história da Índia. Contudo, a morte desse
respeitado camponês foi atribuída a algo muito mais moderno e sinistro: os
cultivos geneticamente modificados.
A
Shankara, da mesma forma que a milhões de agricultores da Índia, tinham
prometido uma exuberância de colheitas e lucros jamais imaginados se deixassem
de cultivar as sementes tradicionais e começassem a semear sementes
transgênicas.
Enfeitiçado
pela promessa de riquezas futuras, Shankara pediu dinheiro emprestado para comprar
as sementes transgênicas. Contudo, quando as colheitas fracassaram, ele ficou
com dívidas vertiginosas e sem nenhuma receita.
Finalmente,
Shankara se transformou em um dos aproximadamente 125 mil agricultores que se
suicidaram em função da impiedosa campanha orientada a transformar a Índia em
um campo de provas para os cultivos transgênicos.
A
crise, que os ativistas tem batizado de “genocídio transgênico”, foi colocada
em destaque recentemente, quando o príncipe Charles manifestou que a questão
dos cultivos transgênicos tinha se transformado em uma “questão moral global”,
e havia chegado o momento de pôr fim ao seu implacável avanço.
Numa
conferência de vídeo retransmitida à capital da Índia, Delhi, o príncipe
enfureceu os líderes da biotecnologia e alguns políticos, quando condenou “o
índice verdadeiramente atroz e trágico de suicídios de pequenos agricultores na
Índia, provocados... pelo fracasso de muitas variedades de cultivos
transgênicos”.
Contra
o príncipe, coligaram-se poderosos grupos de pressão de cultivos transgênicos e
proeminentes políticos que afirmam que os cultivos geneticamente modificados
transformaram a agricultura da Índia, proporcionando um rendimento nunca antes
conhecido.
O
resto do mundo, insistem, deveria abraçar o “futuro” e seguir seu exemplo.
Assim,
pois, quem diz a verdade? Para averiguar, viajei ao “cinturão suicida”, situado
no estado hindu de Maharashta.
O
que encontrei foi muito inquietante, e tem profundas implicações para os países
– entre eles a Grã-Bretanha -, nos quais está se debatendo a possibilidade de
autorizar a semeadura de sementes manipuladas pelos cientistas para escapar das
leis da natureza.
O
certo é que as cifras oficiais do Ministério da Agricultura hindu confiram que,
em meio à uma descomunal crise humanitária, mais de 1000 agricultores se
suicidam aqui a cada mês.
Gente
simples do meio rural está morrendo de forma lenta e agonizante. A maioria
deles ingere inseticidas, um dispendioso produto que se afirmou não ser
necessário quando foram forçados a semear as caras sementes geneticamente
modificadas.
Parece
que muitos desses camponeses contraíram dívidas descomunais em financeiras
locais, de quem tomaram emprestadas somas excessivas para adquirir sementes
transgênicas.
Os
especialistas partidários dos cultivos transgênicos afirmam que a verdadeira
causa desse tributo em vidas humanas são o alcoolismo, a seca e a “miséria
rural”.
Contudo,
como descobri durante uma viagem de quatro dias através do epicentro do
desastre, essa não é toda a história.
Em
uma pequena aldeia que visitei, 18 camponeses tinham se suicidado depois de
terem ficado emaranhados em dívidas com produtos transgênicos. Em alguns casos,
as mulheres tomaram as rédeas das granjas de seus defuntos maridos somente para
elas mesmas se suicidarem um pouco mais tarde.
Latta
Ames, de 38 anos, bebeu inseticida depois do fracasso de suas colheitas apenas
dois anos depois que seu marido se tirasse a vida quando as dívidas pelos
transgênicos se tornaram excessivas.
Latta
deixou seu filho de dez anos, Rashan, aos cuidados de familiares. “Ele chora
quando pensa em sua mãe”, disse a tia da defunta, sentada apáticamente à
sombra, junto aos campos.
Aldeia
trás aldeia as famílias narraram-me como tinham se afundado em dívidas depois
de terem sido persuadidas a adquirir sementes transgênicas em vez das sementes
tradicionais de algodão.
A
diferença de preço é assombrosa: 100 gramas de sementes transgênicas custam 12
euros, mas com esse valor pode-se comprar uma quantidade mil vezes maior de
sementes tradicionais.
Contudo,
vendedores de sementes transgênicas e funcionários do governo tinham assegurado
aos agricultores que tratavam-se de “sementes mágicas”, que produziram cultivos
melhores, livres de parasitas e insetos.
De
fato, em uma tentativa de promover o uso das sementes transgênicas, em muitos
bancos de sementes do governo se proibiu a venda das variedades tradicionais.
As
autoridades tinham interesses espúrios na promoção dessa nova tecnologia. O
governo hindu, desesperado em escapar da miséria absoluta dos anos posteriores
à independência, decidiu autorizar os novos gigantes da biotecnologia, como a
Monsanto, a companhia norte-americana líder do mercado, a comercialização de
suas novas sementes.
Em
troca de permitir o acesso das companhias ocidentais ao segundo país mais
povoado do mundo, com mais de um bilhão de pessoas, a Índia recebeu nos anos 80
e 90 empréstimos do Fundo Monetário Internacional que a ajudaram a iniciar uma
revolução econômica.
Contudo,
enquanto cidades como Mumbai e Delhi cresceram exponencialmente, a vida dos
agricultores voltou à Idade Média.
Ainda
que na Índia a superfície de terras dedicadas a cultivos transgênicos tenha
duplicado no espaço de dois anos – até chegar aos 17 milhões de acres – muitos
camponeses descobriram que o preço que é preciso pagar é terrível. Longe de
serem “sementes mágicas”, as variedades transgênicas de sementes de algodão à
prova de pragas têm sido devastadas pelas lagartas, parasitas vorazes.
Tampouco
foi dito a esses agricultores que essas sementes precisam o dobro de água. Isso
tem sido um fator de vida ou morte. Depois de dois anos de escassa
pluviosidade, muitos cultivos transgênicos simplesmente murcharam e morreram,
deixando os camponeses com dívidas sufocantese sem recursos para pagá-las.
Depois
de ter tomado dinheiro emprestado a financistas tradicionais com juros
exorbitantes, centenas de milhares de pequenos agricultores se viram condenados
a perder suas terras por causa do fracasso das custosas sementes. Enquanto
isso, os que puderam continuar lutando tiveram que enfrentar uma nova crise.
No
passado, quando se perdiam as colheitas, os agricultores ainda tinham a opção
de guardar sementes e tornar a plantá-las no ano seguinte. Contudo, com as
sementes transgênicas não podem faze-lo por que muitas delas possuem o que se
denomina “tecnologia exterminadora”, o que significa que foram modificadas
geneticamente para que as colheitas resultantes não produzam sementes viáveis.
Em
conseqüência, os agricultores tem que comprar novas sementes a cada ano pelos
mesmos preços proibitivos. Para alguns, isso significa a diferença entre a vida
e a morte.
Tomemos
o caso de Suresh Bhalasa, outro camponês que foi incinerado nesta semana, e que
deixou esposa e dois filhos. Ao cair a noite depois da cerimônia, enquanto os
vizinhos ficavam de cócoras fora da casa, e as vacas sagradas eram trazidas dos
campos, sua família não tinha nenhuma dúvida de que seus problemas surgiram no
instante em que se animou a comprar o algodão BT, uma planta geneticamente
modificada criada pela Monsanto.
“Agora
estamos arruinados”, disse a viúva, de 38 anos. Compramos 100 gramas de algodão
BT. Nossa colheita quebrou duas vezes. Meu marido se deprimiu. Saiu para seu
campo, deitou sobre o algodão e bebeu inseticida.
Os
aldeões o introduziram em um riquixá e o levaram ao hospital por estradas
rurais cheias de buracos. “Ele gritava que tinha bebido inseticida e que sentia
muito”, disse ela, enquanto sua família e seus vizinhos se reuniam na sua casa
para apresentar seus respeitos. “Quando chegou ao hospital, já estava morto”
Perguntados
sobre se o defunto era um bêbado ou se padecia de problemas sociais, como
alegam os funcionários pró-transgênicos, a tranquila e digna assistência
explodiu em cólera: “Não! não!”, exclamou um dos irmãos do morto “Suresh era um
bom homem. Mandou seus filhos para a escola e pagou seus impostos”.
“Essas
sementes mágicas o estrangularam. Nos vendem as sementes dizendo que elas não
necessitarão de pesticidas caros, mas eles são necessários, sim. Todos os anos
estamos obrigados a comprar as mesmas sementes da mesma companhia. Estão nos
matando. Por favor, conte ao mundo o que está acontecendo aqui”.
A
Monsanto admitiu que as dívidas crescentes foram “um fator dessa tragédia”.
Contudo, assinalando que a produção de algodão duplicou nos últimos sete anos,
um porta-voz acrescentou que existem outras razões que explicam a recente
crise, como por exemplo, “as chuvas inoportunas” ou a seca, e assinalou que os
suicídios sempre fizeram parte da vida rural na Índia.
As
autoridades também apontam as pesquisas de opinião para afirmar que a maioria
dos camponeses hindus quer sementes transgênicas – sem dúvida animados pelas
agressivas técnicas de marketing.
Durante
minhas investigações em Maharasta, encontrei-me com três inspetores
“independentes” que recorriam as aldeias para obter informações sobre os
suicídios. Insistiram que as sementes transgênicas eram somente um 50% mais
caras, mas mais tarde me confessaram que a diferença era de mais de 1000%.
(Depois, um porta-voz da Monsanto insistiu que a semente “somente custava ao
dobro” do que custa a semente “oficial”, não transgênica, mas admitiu que a
diferença poderia ser enorme se as sementes tradicionais mais baratas são
vendidas por comerciantes sem escrúpulos, que freqüentemente também vendem
“falsas” sementes transgênicas suscetíveis de contrair enfermidades).
Diante
dos rumores de eminentes indenizações governamentais para frear a onda de
mortes, muitos camponeses disseram que estavam desesperados em conseguir
qualquer tipo de ajuda. “Somente queremos escapar de nossos problemas”, disse
um. “Somente queremos ajuda para que não morra mais nenhum de nós”.
O
príncipe Charles está tão angustiado pela situação dos agricultores suicidas
que criou uma organização beneficente, a Fundação Bhumi Vardaan, para auxiliar
os afetados e promover os cultivos orgânicos hindus no lugar dos transgênicos.
Os
agricultores da Índia também estão começando a lutar. Além de tomar como reféns
os distribuidores de sementes transgênicas e organizar protestos massivos, um
governo estadual empreendeu ações legais contra a Monsanto pelo preço descabido
das sementes transgênicas.
Isso
chegou tarde demais para Shankara Mandaukar, que tinha acumulado uma dívida de
80 mil rúpias (cerca de 1200 euros) quando decidiu tirar sua vida. “Disse-lhe
que poderíamos sobreviver”, disse sua viúva. Seus filhos continuam encolhidos a
seu lado ao cair da noite. “Disse-lhe que encontraríamos uma saída. Ele só
disse que era melhor morrer”
Mas
a dívida não morre com seu marido. A menos que consiga uma maneira de quitá-la,
não vai poder pagar a escolarização de seus filhos. Perderão suas terras e
passarão a engrossar as filas das legiões de despossuídos que aos milhares
mendigam nas bordas dos caminhos ao longo deste vasto e caótico país.
Cruelmente,
os que mais estão padecendo os efeitos do “genocídio transgênico” são os
jovens, a mesma geração que se supunha pretender resgatar de uma vida de
privações e miséria por meio destas “sementes mágicas”.
Aqui,
no cinturão suicida da Índia, o custo do futuro transgênico é criminosamente
alto.
REVOLUÇÃO FRANCESA
ESQUEMA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
MOVIMENTOS SOCIAIS PÓS REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
LUDISMO
O ludismo foi um movimento social ocorrido na Inglaterra entre os anos de 1811 e 1812. Contrários aos avanços tecnológicos ocorridos na Revolução Industrial, os ludistas protestavam contra a substituição da mão-de-obra humana por máquinas. O nome do movimento deriva de um dos seus líderes, Ned Ludd.
Com a participação de operários das fábricas, os "quebradores de máquinas", como eram chamados os ludistas, fizeram protestos e revoltas radicais. Invadiram diversas fábricas e quebraram máquinas e outros equipamentos que consideram os responsáveis pelo desemprego e as péssimas condições de trabalho no período.
O movimento ludista perdeu força com a organização dos primeiros sindicatos na Inglaterra, as chamadas trade unions.
Fonte: http://www.suapesquisa.com/industrial/ludismo.htm
CARTISMO
Liderados por Feargus O’Connor e William Lovett, os trabalhadores ingleses pediam um conjunto de reformas junto ao Parlamento, reunido na chamada Carta do Povo. Nesse documento, o movimento defendeu a substituição do voto censitário pelo sufrágio universal, a instituição do voto secreto e a remuneração parlamentar. Em 1848, uma grande marcha foi programada para exigir o atendimento às mudanças pedidas na Carta. Mesmo não reunindo um grande número de manifestantes, o cartismo conseguiu o apoio parlamentar.
Dessa forma, os trabalhadores lutaram pelo fim das adversidades do ambiente urbano e fabril desenvolvidos nos séculos XVIII e XIX. Ao clamarem por participação política, o operariado se definia enquanto uma classe socioeconômica portadora de interesses específicos. Após essas primeiras manifestações da classe trabalhadora britânica, vários outros movimentos – majoritariamente influenciados pelo ideário comunista e socialista – participaram de movimentos em prol da questão trabalhadora.
Fonte:http://www.brasilescola.com/historiag/cartismo.htm
SOCIALISMO
Do ponto de vista político e econômico, o comunismo seria a etapa final de um sistema que visa a igualdade social e a passagem do poder político e econômico para as mãos da classe trabalhadora. Para atingir este estágio, deveria-se passar pelo socialismo, uma fase de transição onde o poder estaria nas mãos de uma burocracia, que organizaria a sociedade rumo à igualdade plena, onde os trabalhadores seriam os dirigentes e o Estado não existiria.
Características do socialismo
Diferentemente do que ocorre no capitalismo, onde as desigualdades sociais são imensas, o socialismo é um modo de organização social no qual existe uma distribuição equilibrada de riquezas e propriedades, com a finalidade de proporcionar a todos um modo de vida mais justo.
Sabe-se que as desigualdades sociais já faziam com que os filósofos pensassem num meio de vida onde as pessoas tivessem situações de igualdade, tanto em seus direitos como em seus deveres; porém, não é possível fixarmos uma data certa para o início do comunismo ou do socialismo na história da humanidade. Podemos, contudo, afirmar que ele adquiriu maior evidência na Europa, mais precisamente em algumas sociedades de Paris, após o ano de 1840 (Comuna de Paris).
Na visão do pensador e idealizador do socialismo, Karl Marx, este sistema visa a queda da classe burguesa que lucra com o proletariado desde o momento em que o contrata para trabalhar em suas empresas até a hora de receber o retorno do dinheiro que lhe pagou por seu trabalho. Segundo ele, somente com a queda da burguesia é que seria possível a ascensão dos trabalhadores.
A sociedade visada aqui é aquela sem classes, ou seja, onde todas as pessoas tenham as mesmas condições de vida e de desenvolvimento, com os mesmos ganhos e despesas. Alguns países, como, por exemplo, União Soviética (atual Rússia), China, Cuba e Alemanha Oriental adotaram estas idéias no século XX. A mais significativa experiência socialista ocorreu após a Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques liderados por Lênin, implantaram o socialismo na Rússia.
Porém, após algum tempo, e por serem a minoria num mundo voltado ao para o lucro e acúmulo de riquezas, passaram por dificuldades e viram seus sistemas entrarem em colapso. Foi a União Soviética que iniciou este processo, durante o governo de Mikail Gorbachov ( final de década de 1980), que implantou um sistema de abertura econômica e política (Glasnost e Perestroika) em seu país. Na mesma onda, o socialismo foi deixando de existir nos países da Europa Oriental.
Atualmente, somente Cuba, governada por Fidel Castro, mantém plenamente o sistema socialista em vigor. Mesmo enfrentando um forte bloqueio econômico dos Estados Unidos, o líder cubano consegue sustentar o regime, utilizando, muitas vezes, a repressão e a ausência de democracia.
FONTE: http://www.suapesquisa.com/geografia/socialismo/
ANARQUISMO
Anarquismo pode ser definido como uma doutrina (conjunto de princípios políticos, sociais e culturais) que defende o fim de qualquer forma de autoridade e dominação (política, econômica, social e religiosa). Em resumo, os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade total, porém responsável.
O anarquismo é contrário a existência de governo, polícia, casamento, escola tradicional e qualquer tipo de instituição que envolva relação de autoridade. Defendem também o fim do sistema capitalista, da propriedade privada e do Estado.
Os anarquistas defendem uma sociedade baseada na liberdade dos indivíduos, solidariedade (apoio mútuo), coexistência harmoniosa, propriedade coletiva, autodisciplina, responsabilidade (individual e coletiva) e forma de governo baseada na autogestão.
O movimento anarquista surgiu na metade do século XIX. Podemos dizer que um dos principais idealizadores do anarquismo foi o teórico Pierre-Joseph Proudhon, que escreveu a obra "Que é a propriedade?" (1840).
Fonte: http://www.suapesquisa.com/o_que_e/anarquismo.htm
ILUMINISMO
Utopia
O texto seguir foi escrito pelo pensador inglês Thomas Morus(1478-1535). Leia com atenção.
“Estes animais, tão dóceis e tão sóbrios em qualquer outra parte, são entre vós de tal sorte vorazes e ferozes que devoram mesmo os homens e despovoam os campos, as casas e as aldeias.
De fato, a todos os pontos do reino, onde se recolhe a lã mais fina e mais preciosa, acorrem, em disputa do terreno, os nobres, os ricos e até santos abades. Essa pobre gente não se satisfaz com as rendas, benefícios e rendimentos de suas terras; não está satisfeita de viver no meio da ociosidade e dos prazeres, às expensas do público e sem proveito para o Estado. Eles subtraem vastos tratos de terra à agricultura e os convertem em pastagens; abatem as casas, as aldeias, deixando apenas o templo para servir de estábulo para os carneiros. Transformam em desertos os lugares mais povoados e mais cultivados. Temem, sem dúvida, que não haja bastantes parques e bosques e que o solo venha a faltar para os animais selvagens.
Assim um avarento faminto enfeixa, num cercado, milhares de geiras; enquanto que honestos cultivadores são expulsos de suas casas, uns pela fraude, outros pela violência, os mais felizes por uma série de vexações e de questiúnculas que os forçam a vender suas propriedades. E estas famílias mais numerosas do que ricas (porque a agricultura tem necessidade de muitos braços), emigram campos em fora, maridos e mulheres, viúvas e órfãos, pais e mães com seus filhinhos. Os infelizes abandonam, chorando, o teto que os viu nascer, o solo que os alimentou, e não encontram abrigo onde refugiar-se. Então vendem a baixo preço o que puderam carregar de seus trastes, mercadoria cujo valor é já bem insignificante. Esgotados esse fracos recursos, o que lhes resta? O roubo, e, depois, o enforcamento segundo as regras.
Preferem arrastar sua miséria mendigando? Não tardam ser atirados na prisão como vagabundos e gente sem eira nem beira. No entanto, qual é o seu crime? É o de não achar ninguém que queira aceitar os seus serviços, ainda que eles os ofereçam com o mais vivo empenho. E aliás, como empregar esses homens? Eles só sabem trabalhar a terra; não há então nada a fazer com eles, onde não há mais nem semeaduras nem colheitas. Um só pastor ou vaqueiro é suficiente, agora, a fazer com que brote, de si mesma, a terra onde, outrora, para seu cultivo, centenas de braços eram necessários.”
Fonte: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/utopia.html
QUESTÕES;
1] De que animais o autor está falando na primeira frase do texto?
2] O que era objeto de disputa nas regiões lanífera inglesas no século XVI?
3] O texto descreve um processo ocorrido nos campos da Inglaterra entre os séculos XVI E XVIII. Que processo foi esse? Explique.
4]Quais as consequências desse processo para os “avarentos” e para os camponeses ingleses? Independência da América Espanhola
“Estes animais, tão dóceis e tão sóbrios em qualquer outra parte, são entre vós de tal sorte vorazes e ferozes que devoram mesmo os homens e despovoam os campos, as casas e as aldeias.
De fato, a todos os pontos do reino, onde se recolhe a lã mais fina e mais preciosa, acorrem, em disputa do terreno, os nobres, os ricos e até santos abades. Essa pobre gente não se satisfaz com as rendas, benefícios e rendimentos de suas terras; não está satisfeita de viver no meio da ociosidade e dos prazeres, às expensas do público e sem proveito para o Estado. Eles subtraem vastos tratos de terra à agricultura e os convertem em pastagens; abatem as casas, as aldeias, deixando apenas o templo para servir de estábulo para os carneiros. Transformam em desertos os lugares mais povoados e mais cultivados. Temem, sem dúvida, que não haja bastantes parques e bosques e que o solo venha a faltar para os animais selvagens.
Assim um avarento faminto enfeixa, num cercado, milhares de geiras; enquanto que honestos cultivadores são expulsos de suas casas, uns pela fraude, outros pela violência, os mais felizes por uma série de vexações e de questiúnculas que os forçam a vender suas propriedades. E estas famílias mais numerosas do que ricas (porque a agricultura tem necessidade de muitos braços), emigram campos em fora, maridos e mulheres, viúvas e órfãos, pais e mães com seus filhinhos. Os infelizes abandonam, chorando, o teto que os viu nascer, o solo que os alimentou, e não encontram abrigo onde refugiar-se. Então vendem a baixo preço o que puderam carregar de seus trastes, mercadoria cujo valor é já bem insignificante. Esgotados esse fracos recursos, o que lhes resta? O roubo, e, depois, o enforcamento segundo as regras.
Preferem arrastar sua miséria mendigando? Não tardam ser atirados na prisão como vagabundos e gente sem eira nem beira. No entanto, qual é o seu crime? É o de não achar ninguém que queira aceitar os seus serviços, ainda que eles os ofereçam com o mais vivo empenho. E aliás, como empregar esses homens? Eles só sabem trabalhar a terra; não há então nada a fazer com eles, onde não há mais nem semeaduras nem colheitas. Um só pastor ou vaqueiro é suficiente, agora, a fazer com que brote, de si mesma, a terra onde, outrora, para seu cultivo, centenas de braços eram necessários.”
Fonte: http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/utopia.html
QUESTÕES;
1] De que animais o autor está falando na primeira frase do texto?
2] O que era objeto de disputa nas regiões lanífera inglesas no século XVI?
3] O texto descreve um processo ocorrido nos campos da Inglaterra entre os séculos XVI E XVIII. Que processo foi esse? Explique.


